Renata Cruz
PLANTA
um espaço para acolher a diversidade e o desejo de vida em comum
PLANTA é um pequeno espaço no centro da cidade de São Paulo (uma das vitrines da Galeria das Artes, entre as ruas Sete de Abril e Braulio Gomes), que recebe pensamentos, ideias, questões, propostas, projetos e sonhos de diversos artistas e pensadores convidados. O espaço tem como proposta acolher a diversidade como forma de pensamento e modos de vida, e o desejo de ajudar a "florescer" novos caminhos para a vida em comum.







Mesmo com toda a camada de asfalto que encobre nossos rios e florestas, a força de algumas plantas eclode pelas rachaduras que a água cava na superficie da cidade. Que força viva é essa, que generosa-mente faz brotar? Ela também está em mim?
Este trabalho nasceu a partir de muitas perguntas. Que gesto cotidiano é possível praticar para produ-zir a mim mesma a partir de forças diferentes das que aprendi com o asfalto? Que forças são essas que me colocam para dormir a noite e me acordam todos os dias pela manhã?
Como o coração bate sem parar mesmo sem o controle da minha consciência? Qual é o tempo praticado pelo que é vivo? O que é possível cultivar diariasmente para alargar o tempo? Estas e muitas outras perguntas inventaram este trabalho em 2021, e desde então eu me proponho a modelar pelo menos uma escultura-semente por dia, como forma de ritualizar o tempo e produzir a mim mesma. Repetir a mesma forma - que tam-bém é sempre outra - sem nenhuma pretensão de chegar a algum lugar, é um jeito de se apropriar das próprias forças, é um jeito de incorporar a própria vitalidade.
É bonito perceber como a primeira escultura-semente, feita em 2021, é completamente diferente da última, feita em 2026.
O futuro e as inevitáveis transmutações da forma, estão disponíveis: aqui - agora. O presente é o único lugar capaz de criar rotas de desvio.
Bianca Mimiza







Desabrochar da Noite , Bel Falleiros e Renata Cruz, 2024.
Esse trabalho nasceu como uma noite estrelada, que sempre está ali, visível para quem está disposto a enxergá-lo.
Desde 2020 Bel Falleiros e Renata Cruz (uma morando no Brasil e fora dos Estados Unidos) vem cultivando um ateliê virtual compartilhado. Juntas abrem espaço e dobram o tempo para estarem juntas, longe das fronteiras do tempo e obrigações cotidianas.
Desse encontro nasceram (sem serem planejados) exposições, oficinas, obras de arte, etc. No dia 12 de abril de 2024 depois de mais de 4 anos de cultivando essa prática, enquanto conversavam, pintaram juntas, uma sem saber da pintura da outra, o mesmo e único céu noturno.
A obra aqui apresentada é o encontro esses céus*
*Obrigada pequena Cecilia por ter nos revelado esse encontro de céus!
Acompanhando as pinturas, compomos uma agricultura de gerações que nos atendeu outras formas de olhar, ouvir e se relacionar com o céu estrelado, o escuro e o silêncio. Além de nossas vozes próprias, incluimos as vozes de Carlos Papá, Silvia Rivera Cusicanqui, Ailton Krenak e Cris Takuá além das palavras dos poetas Jaime Saenz e Cecilia Vicuña. Você pode ouvir o áudio no topo desta página.
O nome do trabalho é inspirado na fala de Carlos Papá no Ciclo Selvagem no dia 14 de novembro de 2019. Mais sobre o Ciclo Selvagem no www.selvagemciclo.com.br







Sonhar como verbo conjugado coletivamente
É um trabalho que nasce do querer estar junto e de insistir nesse estar junto,
mesmo com as dificuldades da cidade e do tempo que vivemos
Lacuna como tentativa de abrir espaço
É um trabalho que lembra das frestas
Perceber frestas é também estar interessado nas outras pessoas
As frestas estão por toda parte
Os rastros são deixados por toda parte
Revelar as possibilidades que já estão aqui
Revelar as possibilidades ali no tecido, ali na poesia que se escreve com as letras à solta
Revelar as possibilidades que nascem agora no berço dos encontros, na confiança que anima o sonho e o tecido, as palavras e a luz
Ao longo do tempo, mais palavras são cavadas no tecido, como um terreno coletivo em que a diversidade dos cultivos está na chance de mais palavras chegarem, de mais sonhos conviverem
